Tolstói é o nome

Tolstói... 
Nunca pensei em ler um livro de Tolstói.
Por medo talvez. 
Aquele medo que os grandes clássicos podem causar na gente. 
Um certo receio das grandes mentes da literatura. 
Talvez receio de não entender e se sentir meio burra.
Mas, “A Morte de Ivan Ilitch” foi o meu primeiro Tolstói.
E já digo que foi o primeiro porque quero ler outros. 
Gostei da experiência.

Tolstói começa anunciando no título que o Ivan Ilitch morre.
E ele morre mesmo. 
E ele vai morrendo aos poucos. 
Ele morre da doença que o acomete. E morre também por causa dos seus pensamentos.
Ivan Ilitch se depara com a morte e se vê diante do inevitável. Ele tinha em sua consciência, ou subconsciência, a ideia de ser imortal.
E esse é um ponto que alguns psicólogos já afirmaram que todos nós seres humanos também temos. Ninguém acredita fielmente que vai morrer, sempre há um “Será mesmo? Eu?!” escondido em alguma parte de nossas mentes. Essa parte acredita ser imortal de alguma forma. 
Além de ser ‘pego de surpresa’ pela ideia da própria morte, Ivan Ilitch não achava justo morrer, muito menos da forma que estava morrendo. Depois de ter feito tudo certo na vida, o que lhe restava era apenas a morte? 
E é em cima disso que Tolstói constrói a sua narrativa.

Tolstói traz todo o conflito interno de uma pessoa em seu leito de morte. 
Além das questões sobre morrer, ‘ser justo ou não’, ‘por que comigo’, e etc, ele também traz o medo. O medo do que vem depois, ou do que não vem depois. O medo de não ter vivido tudo que tinha pra ser vivido. Não ter vivido da melhor forma. Medos, incertezas, aflições, lembranças, questionamentos. O livro monstra a mente de uma pessoa morrendo, cheia de agonias e tristezas, e ainda traz uma crítica social aos modos de vida da época.
Mas mais do que a morte, presente em todo o livro, inclusive no título, Tolstói fala da vida. Que vida teve Ivan Ilitch, quais foram seus sentimentos, e como eles mudaram ao passar do tempo.

“A Morte de Ivan Ilitch” foi uma das últimas obras de Tolstói. E foi escrita depois que ele passou por uma crise existencial, beirando a depressão. Nessa crise, ele passa por uma reavaliação moral e espiritual em sua vida, o que depois viemos a conhecer como tolstoismo. 
Através do livro, Tolstói nos faz pensar em nossas próprias vidas, se estamos vivendo ou apenas existindo.

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