A visita cruel do tempo é o nome

Livro confuso?
Sim.
 
Livro com muitos personagens, em diferentes tempos.
Cada um narrado em uma pessoa diferente.
Ora primeira, ora terceira, ora por slides de powerpoint.
Perdas. Encontros. Nomes. Lugares. Épocas.
 
É um livro confuso, mas a vida é confusa.
 
A passagem do tempo é confusa. Principalmente quando olhamos para trás.
“Quem era aquela pessoa mesmo?”
“Onde eu estava quando fiz aquilo?”
 
Eu li um comentário sobre esse livro que resume bem a essência dele, ‘Não é um livro sobre uma história. Muito menos uma história com começo, meio e fim. São vários meios.’
São vários meios sim, porque são várias vidas. Acaba a vida de um no meio da vida do outro. E assim que segue o mundo.
 
Jennifer Egan nos envolve na história, em recortes aleatórios da vida, que se cruzam, mesmo que sutilmente.
A cada salto no tempo, a cada novo personagem apresentado, ela nos faz refletir sobre a passagem do tempo.
Até porque, esse é o enfoque do livro. Tempo e consequências. Não o personagem X ou Y.
 
Jennifer Egan ganhou o prêmio Pulitzer de Ficção em 2011, e outros vários prêmios, com sua história não linear, intrínseca da confusão da vida e do tempo.
E de seus personagens reais, pessoas que estão ao nosso redor, vivendo, ganhando, envelhecendo, lembrando, e, principalmente, esquecendo.
 



Resenha postada originalmente dia 07/10/2020 em https://www.facebook.com/radialistaeonome/posts/193844712143346

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