Confuso é o nome
Mas peraí, não é confuso do tipo caótico,
vago ou sem sentido.
É confuso no sentido que é fora de ordem,
labiríntico, sinuoso. Como a mente humana é, e ainda mais acentuado quando a
mente em questão é de uma pessoa com distúrbios mentais, esquizofrênica.
Pode conter spoilers aqui, mas creio que o
próprio livro é cheio deles.
Afinal, o livro é narrado em primeira pessoa começando com a informação da morte do seu irmão. Não estamos falando sobre SE ele vai morrer, mas sim QUANDO ele vai morrer, e COMO ele vai morrer.
Ele começa assim: “Vou te contar o que
aconteceu porque será uma boa maneira de apresentar meu irmão. O nome dele é
Simon. Acho que você vai gostar dele. Eu gosto de verdade. Mas, daqui a algumas
páginas, ele estará morto. E ele nunca mais foi o mesmo depois disso."
E é em torno desse acontecimento que sua
vida e seus pensamentos giram, de trás para frente e de frente para trás. Cheio
de culpa, ele vai e volta no tempo, às vezes nos conta todos os detalhes
possíveis de tudo, e às vezes não, apenas cospe uma informação. Fala de coisas
aleatórias, é repetitivo, e assim, nos dá a noção do quão difícil é pro mundo,
e pra si próprio entender uma mente doente.
É um livro denso, que te faz refletir
sobre muitos aspectos da vida...
Sobre a perda, sobre as doenças mentais e
sobre como deve ser conviver com isso, sobre pensar no que realmente nos separa
da loucura, e nas coisas que podem acontecer na sua vida que faz com que sua
sanidade mental te abandone.
E há muitos trechos provocativos, para
realmente incomodar, como:
"Olá, meu nome é o seu potencial. Mas
pode me chamar de impossível. Eu sou as oportunidades perdidas. Sou as
expectativas que você nunca vai cumprir. Sempre estou implicando com você, por
mais que você se esforce, por mais que tenha esperanças..."
O livro pode ser confuso e perturbador
sim, mas é delicado, sensível sem romantizar a doença, e é marcante. Um livro
que traz a solidão, a culpa, a loucura, e o sofrimento que dói até no leitor.
O romance é escrito por Nathan Filer e
publicado no Brasil pela Editora Rocco. Tem um curta metragem poético baseado
no livro, chamado “Common Side Effects”, dirigido por Udo Prinsen: https://vimeo.com/66223359
Resenha postada originalmente dia 15/01/2020 em https://www.facebook.com/radialistaeonome/posts/115539049973913

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